quarta-feira, 28/10/2026

Dólar R$ 5,35 Euro R$ 5,96
Ibovespa 175.710 ▼ 0,51%

Iniciativa de jovem visa ajudar na localização de desaparecidos após terremoto na Venezuela

Em meio ao caos provocado pelos terremotos na Venezuela, Jorge Bastidas, um programador de 32 anos que reside na Argentina, se viu em uma situação angustiante. Enquanto estava em Bogotá a trabalho, recebeu a…

Compartilhe:

Em meio ao caos provocado pelos terremotos na Venezuela, Jorge Bastidas, um programador de 32 anos que reside na Argentina, se viu em uma situação angustiante. Enquanto estava em Bogotá a trabalho, recebeu a notícia dos tremores e imediatamente tentou contatar sua família, sem sucesso. A ineficácia das comunicações fez com que ele e outros venezuelanos ao seu redor sentissem a impotência da distância. O que começou como uma crise pessoal rapidamente se transformou em uma missão coletiva, levando Bastidas a criar um portal chamado “Desaparecidos Terremoto Venezuela”.

Desde seu lançamento, o site recebeu mais de 82 mil registros de desaparecidos, um número alarmante que, após a depuração de dados, revelava cerca de 29.486 pessoas ainda sem contato. A ausência de uma lista oficial por parte do governo venezuelano apenas intensificou a frustração de Bastidas. “O governo tem os recursos, mas não age”, desabafa, refletindo sobre a responsabilidade que as autoridades deveriam ter em crises desse tipo.

A plataforma, desenvolvida em tempo recorde com o auxílio de inteligência artificial, permitiu que familiares registrassem informações sobre entes queridos desaparecidos, ajudando a criar uma rede de solidariedade em um momento de desespero. Bastidas reconhece que a situação era caótica: “No início, não sabia a dimensão dos danos”, diz ele, ao lembrar do dia em que o site foi lançado. O tráfego foi tão intenso que o portal precisou de reestruturações para suportar o volume de acessos.

Entretanto, o desafio não foi apenas técnico. Bastidas enfrentou o problema de informações falsas e brincadeiras maldosas que comprometiam a seriedade do projeto. Para contornar isso, ele implementou um sistema de moderação e restrições, assegurando que o foco permanecesse nas pessoas realmente afetadas pelo desastre.

Além disso, a colaboração de outros venezuelanos, como a advogada Daneli Hernández, foi crucial para reunir e organizar informações sobre vítimas nos hospitais. “Nenhum hospital estava preparado para lidar com a quantidade de informações que estava recebendo”, enfatiza Hernández, destacando a necessidade de um esforço conjunto para salvar vidas e trazer alívio às famílias aflitas.

O impacto do site foi profundo. Alceo Angelini, um dos muitos que utilizaram a plataforma, encontrou um certo conforto ao registrar o desaparecimento de seu primo. “Foi útil para nós, pelo menos para ter a tranquilidade de que alguém estava nos ajudando”, relata. A história de Alceo ilustra como a iniciativa de Bastidas não só serviu como um canal de comunicação, mas também como um meio de esperança em meio à incerteza.

Entretanto, o caminho não tem sido fácil. O portal enfrentou ataques que comprometeram dados, forçando Bastidas a reforçar a segurança e implementar mais controles. “Não deveríamos esperar pelo Estado para agir”, conclui, reafirmando a importância de iniciativas civis em momentos de crise. A luta pela verdade e pela informação continua, e Bastidas sabe que ainda há muito a ser feito para trazer respostas a um país marcado pela tragédia.