quarta-feira, 28/10/2026

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Empresas buscam fundamentos religiosos para promover a ética na inteligência artificial

Enquanto a corrida pela inteligência artificial avança, empresas do setor se veem diante de um dilema ético: como ensinar esses sistemas a discernir entre o certo e o errado. Em busca de respostas, alguns…

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Enquanto a corrida pela inteligência artificial avança, empresas do setor se veem diante de um dilema ético: como ensinar esses sistemas a discernir entre o certo e o errado. Em busca de respostas, alguns líderes têm direcionado seus olhares para a religião. Chris Olah, cofundador da Anthropic, destaca que questões morais complexas não podem ser resolvidas apenas em laboratórios, mas são, há milênios, o foco de tradições religiosas.

No entanto, essa busca por uma orientação moral através da fé levanta uma série de questões sobre a compreensão que essas empresas têm do que é, de fato, a religião. À medida que os executivos discutem o potencial destrutivo da IA, muitos se voltam para filósofos e líderes religiosos, na esperança de encontrar um conjunto de princípios morais que possa guiar o desenvolvimento de suas tecnologias.

Sam Altman, CEO da OpenAI, sugere que o ideal seria um ChatGPT que refletisse uma média ponderada da moralidade humana. Entretanto, especialistas alertam que essa abordagem ignora a diversidade e as contradições inerentes às diferentes tradições religiosas. A religião não pode ser reduzida a um mero compêndio de regras; suas manifestações são complexas, práticas e profundamente ligadas à cultura e à política.

Webb Keane, antropólogo da Universidade de Michigan, observa que a visão de religião como um conjunto isolável de princípios morais pode resultar em uma representação distorcida, favorecendo tradições que não se definem apenas como sistemas éticos. A crítica é clara: essa abordagem pode reforçar uma visão limitada da religião, ignorando a riqueza das doutrinas e rituais que moldam a experiência dos fiéis.

Apesar das críticas, as empresas de tecnologia têm buscado ampliar o diálogo com representantes de diversas tradições religiosas. Meghan Sullivan, filósofa da religião, destacou a profundidade com que a Anthropic tem abordado questões éticas em suas reuniões. No entanto, mesmo essa diversidade pode ser superficiais, já que as empresas não necessariamente definem o que entendem por religião.

Acadêmicos como Tomoko Masuzawa argumentam que a categorização moderna das religiões é uma construção ocidental que não reflete a complexidade das tradições que estuda. Essa dificuldade em articular uma definição clara de religião pode levar as empresas a incorporar uma diversidade de pensamentos de maneira simplista, sem considerar as particularidades que cada tradição traz.

Com isso, surge a preocupação de que, ao tentar representar uma variedade de visões, as empresas possam acabar criando uma homogeneização da moralidade que favorece visões ocidentais e ignora a riqueza das tradições não ocidentais. Paolo Carozza, especialista em tecnologia e pensamento social católico, alerta que a IA, ao misturar diferentes perspectivas, pode desorganizar as características que tornam cada tradição única, resultando em uma visão genérica que não faz justiça à complexidade da experiência religiosa.

Em suma, embora a busca por uma orientação moral na inteligência artificial seja válida, o caminho escolhido pelas empresas de tecnologia apresenta desafios significativos. A religião, com todas as suas nuances, não pode ser tratada como um simples manual de regras, e a compreensão superficial de suas tradições pode levar a resultados que não refletem a diversidade e a profundidade da experiência humana.

Crédito da imagem: Sigla em inglês para inteligência artificial.