quarta-feira, 28/10/2026

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Trump propõe nova nomenclatura para a inteligência artificial após décadas de uso do termo tradicional

O debate sobre o futuro da inteligência artificial ganhou um novo contorno com a proposta de Donald Trump de substituir o termo “inteligência artificial” por “superinteligência”. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU,…

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O debate sobre o futuro da inteligência artificial ganhou um novo contorno com a proposta de Donald Trump de substituir o termo “inteligência artificial” por “superinteligência”. Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA expressou a ideia de que o termo atual transmite uma conotação negativa, sugerindo que a tecnologia é imprecisa ou até enganosa. Essa mudança de nomenclatura, que ele deseja ver adotada globalmente, levanta questões sobre a real intenção por trás da iniciativa.

Trump, que abriu enquetes em sua rede social, a Truth Social, para coletar sugestões sobre o novo nome, parece estar mais preocupado em gerar atenção do que em promover um debate sério sobre a tecnologia. Especialistas em inteligência artificial, como Anderson Soares da Universidade Federal de Goiás, colocam em dúvida a eficácia de tal alteração, observando que a própria definição de inteligência é complexa e multifacetada. Para Soares, a proposta de Trump parece mais um golpe publicitário do que uma contribuição válida ao campo da tecnologia.

Além disso, o professor Cleber Zanchettin, da Universidade Federal de Pernambuco, aponta que o discurso de Trump na ONU não traz avanços práticos, mas sim uma retórica de marketing que poderia exacerbar medos relacionados à IA. De fato, a grande maioria da população ainda se mostra cautelosa em relação a essas inovações, como revelam pesquisas que indicam um sentimento de preocupação predominante sobre entusiasmo em relação à IA nos Estados Unidos e no Brasil.

A introdução de termos como “superinteligência” pode ser vista como uma tentativa de reafirmar a liderança dos EUA na corrida pela inteligência artificial, uma narrativa que ecoa a era da corrida espacial. A proposta de Trump, portanto, não é apenas uma mudança semântica; ela indica uma estratégia mais ampla para posicionar os EUA como pioneiros em um campo de crescente importância global.

Por outro lado, essa nomenclatura pode gerar confusão e resistência entre aqueles que ainda estão se familiarizando com a tecnologia. O professor Allan Pscheidt alerta que a mudança de terminologia pode ser mal interpretada pelo público, que já possui um entendimento limitado sobre a IA e suas implicações. A resistência à tecnologia, portanto, pode se intensificar, dificultando sua aceitação.

A discussão sobre o que realmente significa “inteligência” é antiga e complexa. O termo IA foi oficialmente cunhado em 1955 por um grupo de pesquisadores que buscavam descrever máquinas que poderiam simular raciocínios humanos. Desde então, a área evoluiu significativamente, mas a percepção pública continua a ser moldada por receios e desinformação.

Nos últimos anos, a ascensão de tecnologias como o ChatGPT e outras ferramentas de IA generativa trouxe a discussão para o cotidiano das pessoas, mas ainda existe um longo caminho até que a tecnologia seja plenamente compreendida e aceita. Anderson Soares conclui que, como em muitas inovações, o ciclo de aceitação pode levar tempo, e a mudança de nomenclatura proposta por Trump pode ser mais sobre imagem do que sobre progresso real.